21 março 2016

Cesário Verde: "De Tarde"


Silva Porto, "Primavera", c.1882, óleo sobre madeira, 37,2x55 cm, Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, Lisboa


No corrente 2016 completam-se 130 anos sobre a morte de Cesário Verde (1855-1886). O Dia Mundial da Poesia afigura-se um excelente pretexto para uma primeira homenagem a esse nome grande da poesia (de língua) portuguesa, com a apresentação do poema "De Tarde" em seis gravações: quatro recitadas e duas cantadas. Uma experiência auditiva que, além de muito aprazível, nos dá uma boa noção das múltiplas maneiras de abordar um texto poético quando se toma a iniciativa de resgatá-lo ao silêncio dos livros.
A sequência é cronológica, começando pela gravação mais antiga, na voz do imortal João Villaret. Seguem-se Pedro Barroso, José Campos e Sousa, Mário Viegas, Afonso Dias e Vítor de Sousa.
Não podemos deixar, uma vez mais, de apontar o dedo à direcção de programas da Antena 1 pela absurda ausência, na grelha, de uma rubrica diária de poesia. Uma lacuna grave que persiste desde 2003, quando desapareceu o memorável apontamento "À Esquina do Mundo", de António Cardoso Pinto.



Aguarela



Poema de Cesário Verde ("De Tarde", in "O Livro de Cesário Verde: 1873-1886", org. Silva Pinto, Lisboa: Typographia Elzeveriana, 1887 – p. 69)
Recitado por João Villaret (in LP "João Villaret no São Luís", Parlophone/EMI, 1959, reed. EMI-VC, 1991, Valentim de Carvalho/Iplay, 2008)




Naquele pic-nic de burguesas,
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.

Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão-de-bico
Um ramalhete rubro de papoulas.

Pouco depois, em cima d'uns penhascos,
Nós acampámos, inda o Sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos,
E pão-de-ló molhado em malvasia.

Mas, todo púrpuro a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas!



O Ramalhate Rubro das Papoulas



Poema: Cesário Verde ("De Tarde", in "O Livro de Cesário Verde: 1873-1886", org. Silva Pinto, Lisboa: Typographia Elzeveriana, 1887 – p. 69)
Música: Pedro Barroso
Intérprete: Pedro Barroso* (in LP "Cantos à Terra Madre", Da Nova, 1982, reed. Movieplay, 1997; 2CD "Antologia 1982-1990": CD 2, Movieplay, 2005)




Naquele pic-nic de burguesas,
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.

Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão-de-bico
Um ramalhete rubro de papoulas.

Pouco depois, em cima d'uns penhascos,
Nós acampámos, inda o Sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos,
E pão-de-ló molhado em malvasia.

Mas, todo púrpuro a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas!


* [Créditos gerais do disco:]
António Chainho – guitarra portuguesa
António Veríssimo – sapateado e ferrinhos
Carlos Augusto – violas de 6 e de 12 cordas
Carlos Alberto Moniz – violas
Luís Sá Pessoa – violoncelos
Miguel Sá Pessoa – piano
Pedro Barroso – voz, concertina, harmónica bocal, violas, cavaquinhos, adufes e bombo
Pedro Osório – piano, acordeão e caixa
Samuel e Henrique Marques – trancanholas "gémeas"
Zé Calhau – flauta transversal, flauta de bisel e bombo
Arranjos e direcção musical – Pedro Barroso
Gravado do Estúdio Musicorde, Lisboa
Técnico de som – Rui Remígio
Fitas magnéticas – Rui Remígio e Serra de Morais



Pic-nic



Poema: Cesário Verde ("De Tarde", in "O Livro de Cesário Verde: 1873-1886", org. Silva Pinto, Lisboa: Typographia Elzeveriana, 1887 – p. 69)
Música: José Campos e Sousa
Intérprete: José Campos e Sousa (in LP "Nossa Senhora do Carmo: Fados", Transmédia, 1988)


Naquele pic-nic de burguesas,
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.

Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão-de-bico
Um ramalhete rubro de papoulas.

Pouco depois, em cima d'uns penhascos,
Nós acampámos, inda o Sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos,
E pão-de-ló molhado em malvasia.

Mas, todo púrpuro a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas!



DE TARDE



Poema de Cesário Verde (in "O Livro de Cesário Verde: 1873-1886", org. Silva Pinto, Lisboa: Typographia Elzeveriana, 1887 – p. 69)
Recitado por Mário Viegas* (in LP/CD "Poemas de Bibe: grande poesia portuguesa escolhida para os mais pequenos", UPAV, 1990; "Mário Viegas: Discografia Completa": Vol. 10 – "Poemas de Bibe", Público, 2006)


Naquele pic-nic de burguesas,
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.

Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão-de-bico
Um ramalhete rubro de papoulas.

Pouco depois, em cima d'uns penhascos,
Nós acampámos, inda o Sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos,
E pão-de-ló molhado em malvasia.

Mas, todo púrpuro a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas!


* Produção – José Mário Branco e António José Martins
Gravado no Angel Studio, Lisboa, em 2, 6, 7 e 8 de Outubro de 1990
Engenheiro de som – José Manuel Fortes



DE TARDE



Poema de Cesário Verde (in "O Livro de Cesário Verde: 1873-1886", org. Silva Pinto, Lisboa: Typographia Elzeveriana, 1887 – p. 69)
Recitado por Afonso Dias* (in CD "Cantando Espalharey", vol. I, Edere, 2001)


Naquele pic-nic de burguesas,
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.

Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão-de-bico
Um ramalhete rubro de papoulas.

Pouco depois, em cima d'uns penhascos,
Nós acampámos, inda o Sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos,
E pão-de-ló molhado em malvasia.

Mas, todo púrpuro a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas!


* Pesquisa e produção – Afonso Dias e André Dias
Gravado no Estúdio InforArte, Chinicato - Lagos
Técnicos de som – Fernando Guerreiro e Joaquim Guerreiro



DE TARDE



Poema de Cesário Verde (in "O Livro de Cesário Verde: 1873-1886", org. Silva Pinto, Lisboa: Typographia Elzeveriana, 1887 – p. 69)
Recitado por Vítor de Sousa* (in CD "Eu Quero Amar, Amar...", Ovação, 2002)
Música: Luigi Boccherini


Naquele pic-nic de burguesas,
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.

Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão-de-bico
Um ramalhete rubro de papoulas.

Pouco depois, em cima d'uns penhascos,
Nós acampámos, inda o Sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos,
E pão-de-ló molhado em malvasia.

Mas, todo púrpuro a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas!


* Supervisão de produção – Carlos Lacerda, Fernando Matias (Ovação)
Produção executiva – Henrique Amoroso
Gravação e montagem – Fernando Gomes, no Estúdio Gravisom, Lisboa
Masterização – João Oliveira (Artes & Sons)