19 junho 2006

Músicas cortadas (II)



Em 15 de Março passado, manifestei aqui o meu protesto contra o hábito de cortar as músicas escolhidas por Luís Filipe Barros na rubrica "Outras Histórias da Música". Agora sinto-me impelido a intervir novamente porque infelizmente a prática do corte, em vez de ser erradicada, pelo contrário, tornou-se extensiva à rubrica "Os Reis da Rádio" que vai para o ar, na emissão da Antena 1, um pouco antes das 8 horas da manhã. Mas agora o problema é ainda mais grave: se o tema escolhido por Luís Filipe Barros era cortado a meio, as músicas escolhidas pelos Reis da rádio são cortadas logo à nascença, mal soem os primeiros acordes. Foi assim com um tema de Júlio Pereira escolhido por Cândido Mota na semana passada e voltou a acontecer o mesmo hoje de manhã com a música escolhida por Pedro Castelo prontamente substituída por uma qualquer musiquinha descartável. Não posso deixar de perguntar: por que é que isto se está a passar? Será que é o locutor António Macedo (na foto), que assegura a continuidade do programa da manhã, que não gosta das músicas seleccionadas pelos Reis da Rádio ou será que está a agir cumprindo recados de alguém? Qualquer que seja a hipótese, a situação é muito grave e por duas razões muito simples: primeira, trata-se de um intolerável acto de censura musical; segunda, constitui um descarado e desrespeitoso acto de sabotagem ao trabalho dos autores da rubrica "Os Reis da Rádio", todos eles figuras de referência da rádio portuguesa. E, por estranha coincidência, algumas das músicas suprimidas pertencem, nem mais nem menos, a artistas boicotados na 'playlist'. Isto acontecerá por mera casualidade ou haverá por detrás a mãozinha de quem está empenhado em silenciar os nomes do infame Index?

16 junho 2006

Carta ao Provedor do Ouvinte da RDP

<provedor.ouvinte@rdp.pt>
(http://www.rtp.pt/wportal/grupo/provedor_ouvinte/contactos.php)

Assunto: Música portuguesa na RDP-Antena 1


Exmo. Sr. Provedor do Ouvinte da Rádio Pública,

Segundo a legislação que enquadra o serviço público de radiodifusão é obrigação da rádio pública a defesa e promoção da língua e cultura portuguesas e dos valores que definem a identidade portuguesa. Ora acontece que a música portuguesa (cantada em português ou instrumental) é justamente uma das artes que melhor exprime os valores da portugalidade e um veículo privilegiado para a promoção e cultivo da língua lusa. A empresa pública de radiodifusão – RDP – tem três canais nacionais: um cultural – a Antena 2, reservado à música clássica, ao jazz e à cultura de pendor mais erudito; e dois canais generalistas – a Antena 3, dedicado aos jovens e que emite música anglo-americana e algum pop/rock de produção nacional; e a Antena 1, reservado à informação, ao futebol e à música não erudita em geral, devendo cumprir por imposição legal uma determinada quota de música portuguesa. Assim sendo, quando sintonizamos a Antena 1 seria expectável que ela nos desse a ouvir a melhor música (não erudita) que se faz (ou fez) em Portugal, abrangendo os vários estilos e contemplando um leque de artistas – cantores, músicos e grupos – tão amplo quanto possível, desde os nomes consagrados e de créditos firmados até aos mais novos e em início de carreira. Como sou um ouvinte atento, posso testemunhar com conhecimento de causa que não é isto o que tem vindo a acontecer na Antena 1, com as honrosas excepções da rubrica "Alma Lusa", de Edgar Canelas e de quatro programas de autor, todos eles de periodicidade semanal: "Lugar ao Sul", de Rafael Correia; "Vozes da Lusofonia" e "Passeio Público", de Edgar Canelas; e "Viva a Música", de Armando Carvalheda. Como o Sr. Provedor saberá certamente melhor do que eu, o grosso da música portuguesa que passa na Antena 1, embora apresentada pelos locutores de continuidade, não é escolhida por eles já que são obrigados a tocar os temas de uma lista pré-definida debitada por um sistema informático, vulgarmente conhecida por 'playlist'. Acontece que a maior parte da música portuguesa escolhida para figurar nessa 'playlist' não prima pela qualidade nem pela diversidade. Admito que a qualidade nem sempre seja fácil de averiguar porque, por um lado lado, depende dos critérios usados e, por outro, há sempre um apreciável grau de subjectividade na sua avaliação. Já mais fácil e objectiva de analisar é a falta de diversidade de estilos musicais representados na 'playlist', o notório desequilíbrio entre os artistas contemplados e a exclusão inconcebível de muitos outros. Embora com algumas dúvidas (que só uma monitorização externa e isenta poderá desfazer), não contesto que a Antena 1 esteja a cumprir a percentagem de música portuguesa legalmente estipulada, mas é inegável que o preenchimento de tal quota é feito de uma forma tendenciosa, enviesada, e com distorções aberrantes e intoleráveis. Senão vejamos: há um lote de artistas (todos da área da pop) que tem uma promoção desmesurada através da repetição massiva de um ou dois temas (todos os dias e mais do que uma vez), outros passam muito raramente enquanto que um extenso rol de nomes de reconhecida qualidade está a ser alvo de um escandaloso boicote (vide o Index da Música Portuguesa, em anexo). É caso para dizer: uns são filhos, alguns outros enteados e a grande maioria nem sequer enteados chegam a ser – foram pura e simplesmente expulsos de casa como se tivessem a peste. Em face disto, há uma pergunta que se impõe: se não é devido à falta qualidade, então como se explica que tantos artistas de mérito não tenham lugar (ou tenham uma presença residual) na 'playlist'? O quadrante ideológico desses cantores e músicos? Neste momento, já nem parece válida a hipótese de alguns estarem a ser ostracizados em virtude da sua ideologia política ou filiação partidária. De facto, terá de se reconhecer que a censura é já transversal a todo o espectro político. Ao dar-se uma vista de olhos pelo Index, verifica-se que ao lado de nomes declaradamente de esquerda constam também nomes do centro, de direita e inclusive figuras sem orientação ideológica bem definida ou publicamente declarada. Será então a discricionaridade do chefe de 'playlist' em razão do seu subjectivo gosto pessoal e da sua afeição ou simpatia por certos nomes? Bem sei que há, em cada um de nós, uma tendência natural para sobrevalorizarmos a música de que gostamos e desdenharmos aquela que não apreciamos. Isso é perfeitamente legítimo quando se trata de escolher a música para o nosso próprio consumo, mas já se torna abusivo fazer uso do lugar que se ocupa numa entidade pública para impingir aos outros as nossas preferências. E quando essas preferências revelam uma mundividência musical bastante limitada e afunilada da parte de quem as tenta impor, ainda mais abusivo e inaceitável se torna. A primeira impressão com que se fica ao ouvir os alinhamentos de continuidade da Antena 1 é que quem escolhe a música deve ser alguém cujas fontes de informação musical se restringem à MTV e ao "Blitz", o que convenhamos é muito pouco para quem tem a seu cargo mais de 90 % da música de um canal de serviço público. E como se isto não bastasse há outro problema ainda mais preocupante. De acordo com informações que me foram facultadas por fontes seguras e credíveis, algumas atitudes e procedimentos do chefe de 'playlist', dentro e fora da RDP, indiciam uma muito obscura ligação a determinados managers e editoras demasiado preponderantes e influentes na passagem dos seus artistas, ao passo que outros não conseguem qualquer tipo de penetração nesse reservado espaço radiofónico. A continuidade deste fenómeno denota uma prepotência e uma impunidade que assustam num país supostamente sem censura, de livre expressão, criação e acesso que, deste modo, vê, sem uma razão plausível, proliferarem manobras demasiado evidentes e atentatórias dos mais elementares princípios éticos e deontológicos para poderem ser ignoradas. O estado a que as coisas chegaram estava mesmo a pedir uma investigação/operação do tipo "playlist dourada"! Apenas um parêntesis para lembrar que nos liberalíssimos Estados Unidos da América já são vários os processos judiciais que as 'majors' discográficas têm às costas por controlo e corrupção activa nas rádios. Por cá, recusamo-nos a ver o que salta à vista e continuamos a fazer de conta que vivemos no melhor dos mundos. Pessoalmente, se quer que lhe diga, até nem me interessa muito saber se os conteúdos e o figurino da 'playlist' da Antena 1 são da inteira e exclusiva responsabilidade do chefe de 'playlist' (em total autonomia e com carta branca da direcção) ou se reflectem os ditames e orientações vindas de cima. Agora, uma coisa que eu não posso aceitar é que a 'playlist' – que não devia ser mais do que uma ferramenta de trabalho – esteja a ser usada como um instrumento de censura e de silenciamento de uma parte muito significativa do melhor da criação musical portuguesa (actual e passada) e, na prática, reduzida a mera extensão dos departamentos comerciais das editoras mais poderosas, em especial das multinacionais. Quem se der ao cuidado de ouvir com alguma atenção os alinhamentos musicais da Antena 1 (fora dos escassos programas de autor) não pode deixar de constatar que o canal de maior audiência da rádio do Estado foi transformado numa fábrica de sucessos por repetição, qual carrossel que não para de girar. Por outro lado, o tratamento desigual que a rádio pública dá aos artistas do nosso meio musical, ostracizando muitos de mérito incontestado e favorecendo outros de qualidade mais que duvidosa, tem ainda outro efeito perverso: como a radiodifusão de obras musicais está sujeita ao pagamento de direitos de autor, a RDP terá de entregar à SPA um determinado valor por cada passagem de uma determinada peça musical ou poético-musical e, como tal, os autores de uma determinada obra receberão tanto mais quanto maior o número de vezes que ela for radiodifundida. Tendencialmente serão vendidos muitos mais discos e mais pessoas afluirão aos concertos, mas mesmo que o auditório não seja muito receptivo às músicas insistentemente rodadas, os respectivos autores têm sempre garantida uma boa maquia relativa a direitos de reprodução radiofónica, dinheiro esse que teve origem na contribuição do audiovisual e nos impostos pagos pelos contribuintes. É muito triste e deveras revoltante constatar que o meu dinheiro e de demais cidadãos e empresas de Portugal vá parar aos bolsos de medíocres e não seja a justa compensação que os melhores artistas deveriam receber como reconhecimento do valor do seu trabalho e como estímulo para continuarem a criar obras que enriqueçam o nosso património musical. A repetição massiva de determinadas músicas de cariz mais comercial pode aceitar-se numa rádio privada (que até pode ter um contrato ou avença de promoção com o respectivo artista, editora ou agência de management) mas é totalmente absurda, descabida e inaceitável numa rádio cujo financiamento é assegurado por dinheiros públicos. Não haverá uma notória distorção do serviço público quando a esmagadora maioria da música que passa na Antena 1 é aquela que é ditada por uma 'playlist' formatada segundo os mesmos modelos das rádios que dependem do mercado publicitário? Isto assume ainda maior gravidade em virtude de quase não existirem espaços musicais de autor, que pudessem dar expressão à música de qualidade sonegada pela 'playlist' ou que nela tem uma presença residual (passagens esporádicas e em horários de menor audiência). Por exemplo, não se compreende que boa parte dos nomes (dos novos aos consagrados), não catalogáveis com o rótulo 'pop', que Armando Carvalheda e Edgar Canelas convidam – e muito bem – para apresentarem os seus trabalhos nos programas "Viva a Música" e "Vozes da Lusofonia", fiquem de fora da 'playlist' ou dela sejam rapidamente banidos ao fim de duas ou três semanas. Devo dizer-lhe, para que fique bem claro, que não tenho nada contra a música pop pois até gosto de alguns nomes. Defendo, inclusive, que a música pop tem o seu lugar na rádio pública, mas já não me parece razoável que lhe seja dado um destaque tão hegemónico que praticamente não deixa lugar para as outras vertentes e sensibilidades musicais autóctones. É completamente inaceitável que tanto o fado como a música popular portuguesa (tradicional e de autor) – os géneros que melhor definem a nossa identidade e no seio dos quais surgiram os valores maiores da nossa música (não erudita) – estejam a ser tratados de forma tão ignominiosa pela estação que, por acaso, até se auto-proclama de ser "a rádio que liga Portugal". E se considerarmos globalmente os três canais nacionais da RDP constatamos que até o jazz, o blues e a música étnica mundial têm mais tempo de antena que o fado e a música popular e tradicional portuguesa. É uma conta fácil de fazer: sete horas e meia por semana para o jazz, mais uma hora para o blues e mais cinco horas para a música étnica perfaz o total de treze horas e meia semanais, ou seja, o triplo do tempo que o fado e a música popular/tradicional/folk portuguesa ocupam em conjunto nas três grelhas. Será isto aceitável? Como cidadão, contribuinte e ouvinte, sinto-me no dever de pugnar para que os direitos, liberdades e garantias que a Constituição da República Portuguesa me outorga sejam respeitados. Formalmente deixou de haver censura, mas todos sabemos que continuam a existir práticas e atitudes que não sendo assumidas como censura, na verdade não são outra coisa. Utilizar a técnica da repetição de determinados nomes (sempre os mesmos!), sonegando muitos outros, não será uma forma encapotada de censura? Quando o principal canal da rádio pública portuguesa me impinge, com a repetição ad nauseam, as musiquinhas do género pop e se recusa a facultar-me a audição de temas e composições de outras áreas, não me estará a impor ostensivamente uma preconceituosa orientação estética, impedindo-me de ser eu a escolher? Com que legitimidade é que a rádio oficial de um país constitucionalmente democrático e pluralista pode tomar partido a favor uma dada linguagem musical – no caso a música pop – e ao mesmo tempo menosprezar as outras formas da música popular, designadamente as mais idiossincraticamente portuguesas? Não ficará seriamente posta em causa a liberdade de acesso do ouvinte de rádio à pluralidade da expressão musical dos criadores do seu país? Sendo a rádio o veículo entre o artista e o ouvinte, quando o elo é quebrado não se estará a coarctar o direito e a liberdade quer do artista em dar a conhecer a sua obra quer do ouvinte já não digo em frui-la em pleno, mas pelo menos em dela tomar conhecimento? Quantos artistas e trabalhos discográficos de qualidade não ficarão assim na sombra e ignorados ou despercebidos pelos sectores do público, seus potenciais apreciadores e consumidores? Neste âmbito, é pertinente perguntar: para que existe a rádio pública? É para satisfazer interesses privados e corporativos ignorando as suas obrigações de serviço público e fazendo tábua rasa dos direitos dos ouvintes que tem por missão servir? É para isto que os cidadãos e empresas de Portugal pagam uma taxa que lhes é cobrada coercivamente? Convém não esquecer que o pagamento da dita taxa pressupõe como contrapartida a prestação de um serviço específico, no caso concreto, a divulgação da produção musical nacional. Ora é bem evidente que esse serviço não está a corresponder às expectativas dos vastos segmentos do auditório que gostam de música portuguesa mas não se satisfazem (apenas) com a pop. Creio mesmo haver legitimidade – moral e jurídica – em objectar o pagamento da contribuição do audiovisual atendendo à notória infracção do princípio da reciprocidade. Em cumprimento de um dever de cidadania, vim expor ao Sr. Provedor a minha reclamação relativamente a uma situação flagrantemente lesiva dos meus direitos e liberdades de cidadão enquanto ouvinte da rádio pública, mas que extravasa esse âmbito uma vez que tem também graves repercussões culturais e económicas. Por conseguinte, apelo ao Sr. Provedor para que se digne apreciar este assunto e de emitir um parecer que propicie a necessária e urgente correcção do problema. A bem do serviço público de rádio!
Com os mais respeitosos cumprimentos,


Álvaro José Ferreira


Anexo: Index da Música Portuguesa
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Index da Música Portuguesa
(RDP-Antena 1)

A lista que se segue, embora não sendo exaustiva, serve para exemplificar a situação da música portuguesa nos alinhamentos de continuidade ('playlist') da rádio pública, a estação que os cidadãos e empresas de Portugal financiam com a contribuição áudio-visual (antiga taxa de radiodifusão) cobrada na factura mensal de electricidade (Lei 30/2003).


Banidos/excluídos da play-list da Antena 1

Adriano Correia de Oliveira
José Carvalho
Aldina Duarte
José Medeiros
Alfredo Marceneiro
José Peixoto
Almanaque
Júlio Pereira
Amália Rodrigues
Laurent Filipe
Amélia Muge
Lua Extravagante
Anabela
Lucília do Carmo
Anamar
Luís Cília
Ana Moura
Luiz Goes
Ana Sofia Varela
Lula Pena
António Chaínho
Maio Moço
António Emiliano
Mandrágora
António Pinho Vargas
Manuel Freire
António Pinto Basto
Mare Nostrum
António Zambujo
Margarida Bessa
Aqua d'Iris
Maria Ana Bobone
Argentina Santos
Maria Viana
At-Tambur
Melodias do Vento
Banda do Casaco
Mendes Harmónica Trio
Belaurora
Moçoilas
Bernardo Sassetti
Modas ao Luar
Brigada Victor Jara
Mu
Canto da Terra
Naná Sousa Dias
Canto Nono
Navegante
Carla Pires
Negros de Luz
Carlos Alberto Moniz
Nem Truz Nem Muz
Carlos Barretto
Nuno da Câmara Pereira
Carlos Martins
Nuno Guerreiro
Carlos Paredes
Ódagaita
Carlos Zíngaro
Orchestra Nova Harmonia
Célia Barroca
Paco Bandeira
Chuchurumel
Paulo Bragança
Ciganos D' Ouro
Pedra d'Hera
Contrabando
Pedro Barroso
Corvos
Pedro Caldeira Cabral
Cristina Branco
Pedro Jóia
Danças Ocultas
Pedro Moutinho
Dar de Vaia
Pilar Homem de Mello
Dazkarieh
Popularis
D'Corda
Quadrilha
Dead Combo
Quarteto 1111
Duo Ouro Negro
Quinteto Amália
Eduardo Ramos
Quinteto de Jazz de Lisboa
Fernando Farinha
Quinteto Lusitânia
Fernando Girão
Raízes
Fernando Machado Soares
Rão Kyao
Fernando Maurício
Real Companhia
Filarmónica Fraude
Realejo
Frei Fado d'El-Rei
Rodrigo
Francisco Naia
Roldana Folk
Gaiteiros de Lisboa
Ronda dos Quatro Caminhos
Galandum Galundaina
Rosa dos Ventos
Isabel Silvestre
Samuel
Janita Salomé
Segue-me à Capela
Joana Amendoeira
Teresa Silva Carvalho
João Braga
Terrakota
João Chora
Tet Vocal
João Lóio
Trovas à Toa
Joel Xavier
Vai de Roda
Jorge Rivotti
Vá de Viró
José Barros
Vicente da Câmara
TODA A MÚSICA DE COIMBRA


Passagens esporádicas e quase sempre o mesmo tema

Afonso Dias
Mafalda Veiga
Ala dos Namorados
Maria João e Mário Laginha
Ana Laíns
Mariza
Belle Chase Hotel
Marta Dias
Camaleão Azul
Mísia
Camané
Naifa, A
Carlos do Carmo
Né Ladeiras
Carlos Mendes
Paula Oliveira e Bernardo Moreira
Eugénia Melo e Castro
Quinta do Bill
Fausto Bordalo Dias
Rio Grande
Fernando Tordo
Rodrigo Leão
Filipa Pais
Sara Tavares
Jáfumega
Sétima Legião
João Afonso
Sheiks
José Afonso
Som Ibérico
José Mário Branco
Três Tristes Tigres
Katia Guerreiro
Trovante
Luís Portugal
UHF
Madredeus
Vitorino
Mafalda Arnauth
Vozes da Rádio
Última actualização: 11-07-2006

02 junho 2006

Arquivo online de programas da RDP

A Rádio e Televisão de Portugal disponibiliza finalmente um arquivo de programas para audição online, sendo que alguns deles são facultados em 'podcasting'. Cumpre-me felicitar a administração do grupo RTP e a direcção da RDP pelo serviço agora oferecido aos ouvintes, o qual aliás só peca por tardio. Ainda antes de surgirem os 'podcasts', não se compreendia a não existência de um arquivo de programas da RDP na internet pois a TSF há vários anos que o tem. Aliás, o programa "Questões de Moral" já esteve disponível no antigo site da RDP mas lamentavelmente, na altura em a rádio pública foi acoplada à televisão, esse arquivo foi pura e simplesmente eliminado quando o desejável era que transitasse para o novo site e que outros programas fossem também contemplados. Um passo atrás que agora se tenta corrigir. Nessa medida, espero que o histórico do "Questões de Moral" e igualmente outros programas e rubricas como "Os Sons Férteis" e "Lugar ao Sul" sejam adicionados às emissões mais recentes. No caso do programa "Os Sons Férteis" e outros de poesia recitada (ou cantada), a apresentação de um link para os textos seria um ponto de enorme interesse pois possibilita a leitura em simultâneo com a audição.
Reparo que estão disponíveis praticamente todos os programas de autor, mas notei quatro ausências: "1001 Escolhas", de Madalena Balça; "Outras Histórias da Música", de Luís Filipe Barros; "Alma Lusa", de Edgar Canelas (Antena 1) e "Retrato", de Judite Lima (Antena 2). Presumo que tenha havido um lapso e, por isso, fica aqui o meu reparo na esperança de que estes bons programas e rubricas venham também a ser facultados para audição online, pelo menos. Sem prejuízo do 'podcasting' ser alargado a outros programas agora só disponíveis para audição online, penso que é importante haver a possibilidade do download sem assinatura (descarregamento manual mediante um simples clique) para determinados programas, sobretudo os que tenham uma forte componente de palavra. Isto para facilitar a vida aos ouvintes que não querem subscrever o 'podcast' de um dado programa, mas gostavam de possuir uma ou outra emissão em particular. Por outro lado, como nem todos os ouvintes tem ligação à internet em sua casa, por ainda ser relativamente cara, o download avulso daria oportunidade a esses ouvintes, no local de trabalho ou num qualquer cibercafé, de descarregarem os programas do seu interesse directamente para um iPod ou para um disco USB ('pen-drive'). Fica apresentada a sugestão!
Bem sei que o arquivo está na fase de arranque e que ainda há muito a fazer. Já falei no histórico dos programas que estão em antena, mas convém não esquecer excelentes programas anteriores, da própria estação pública e de outras emissoras cujos arquivos ficaram à guarda da RDP.
Atendendo a que os conteúdos culturais (não musicais) tem uma fraca presença nas grelhas actualmente em vigor nos diversos canais da RDP, a disponibilização do que melhor se fez nesta área pode tornar-se um relevante serviço não só ao vulgar ouvinte mas também à população estudantil do ensino básico e secundário. É de vital importância que a internet seja aproveitada para desenterrar o riquíssimo arquivo da RDP e colocá-lo ao dispor de quem a ele queira aceder. Afinal de contas, esse acervo é património de todos nós, sendo um crime contra memória e contra a cultura ele continuar soterrado sob o pó e as teias de aranha, qual cemitério abandonado e esquecido.
Neste âmbito, aproveito para referenciar alguns bons programas, a maior parte deles emitidos na Antena 2 desde os anos 90, tendo para tal recorrido a duas fontes: à minha memória e aos boletins da programação amavelmente cedidos por uma pessoa amiga, ouvinte fiel e exclusiva da rádio clássica.

Poesia e literatura:
- "Poesia e Música", de Carlos Acheman;
- "Entre Textos", de Maria Clara;
- "Conto por Conto", de Maria Clara;
- "Reflexos", de António Cardoso Pinto;
- "À Esquina da Um", de António Cardoso Pinto;
- "Alquimias", de Jorge Casimiro (um olhar cruzado entre a ciência e a poesia);
- "Literaturas", de Alexandra Lucas Coelho;
- "A Hora das Cigarras", de José Eduardo Agualusa (poemas ditos por David Borges);
- "O Prazer de Ler", de Isabel da Nóbrega;
- "A Biblioteca da Minha Vida", de Manuel Hermínio Monteiro;
- "Peregrinação", de Fernão Mendes Pinto (leitura de José Mário Branco);
- "Escritores Que Fizeram Música / Músicos Que Escreveram Livros", de Luciana Leiderfarb;
- "A Música da Escrita", de Luciana Leiderfarb;
- "Ouvindo a Escrita", de PEN Clube Português;
- Outros programas de poesia recitada (por Carmen Dolores, Luís Lucas, Diogo Dória, etc.).

Teatro:
- Teatro radiofónico (designadamente as peças de referência);
- "Dicionário Sonoro do Teatro", de Carlos Porto (locução de Luís Filipe Costa);
- "Auditório", de Maria Emília Correia (textos de Luís Lima Barreto).

Entrevistas:

- "Perfil dum Artista", de Igrejas Caeiro (300 entrevistas realizadas entre 1954 e 1960);
- "A Ilha de Orfeu", de João Paes;
- "A Gosto de…", de Luís Caetano;
- "A Força das Coisas", de Luís Caetano;
- "Quinta-Essência", de João Almeida;
- "A Quatro Mãos", de Gabriela Canavilhas;
- Outras entrevistas de inegável valor documental/cultural.

História e Arte:
- "Lugar à História", de Eugénio Alves;
- "Caminhos da História", de Seomara da Veiga Ferreira;
- "Histórias da História", de Maria Clara;
- "Portugal Visto de Fora", de Vítor Wladimiro Ferreira;
- "Lugares Comuns", Vítor Wladimiro Ferreira;
- "Na Máquina do Tempo", de Maria João Martins;
- "As Marcas da História", de António Costa Pinto;
- "Memória do Esquecimento", de Maria Manuela Albuquerque;
- "Arte em Portugal", de Maria Manuela Albuquerque;
- "A Dádiva das Formas", de Rui Mário Gonçalves.

Programas de divulgação cultural:
- "Consciências Paralelas", de João Soares Santos e Bernardino Pontes;
- "Questões de Família", de Joel Costa;
- "Retratos", de João Coelho e Ana Aranha;
- "Horizontes", de Maria Clara;
- "A Lição dos Mestres", de Maria Clara;
- "Mitos e Lendas", de Maria Clara;
- "Evocações", por Carlos Acheman, António Cardoso Pinto, Maria Clara, João Coelho, Esmeralda Serrano, Mafalda Serrano, Graça Vasconcelos, Ana Paula Ferreira, Eduardo Street e outros;
- Ciclos temáticos (Gil Vicente, Padre António Vieira, Bocage, Marquês de Pombal, Almeida Garrett, Antero de Quental, Eça de Queiroz, José Rodrigues Miguéis, José Régio, Vitorino Nemésio, Martinho Lutero, La Fontaine, Descartes, Nietzsche, André Malraux, Descobrimentos Portugueses, Cem Anos de Cinema, etc.);
- "As Biografias do Século", de Fernando Rosas e Ana Paula Ferreira;
- "Pensar o Século", de Graça Vasconcelos e Rui Pedro Vau;
- "A Nave do Tempo", de Margarida Lisboa (rubricas insertas no programa, como a "Pequena Crónica de Anna Magdalena Bach");
- "Universos Clandestinos", de Margarida Lisboa;
- "A Floresta dos Espelhos", de Margarida Lisboa;
- "Quem?", de Margarida Lisboa;
- "Operando a Memória", de João Lobo Antunes;
- "Sociologias", de João Ferreira de Almeida;
- "Os Grandes Desconhecidos", de António Carvalho.

Programas de autor de temática musical:
- "O Gosto Pela Música", de João de Freitas Branco;
- "O Canto e os Seus Intérpretes", de Maria Helena de Freitas;
- "O Texto e a Música", de Yvette Centeno e Nuno Vieira de Almeida;
- "Cancioneiro Popular Português", de José Alberto Sardinha (sobre as recolhas de Armando Leça);
- "Música de Todos os Quadrantes", de João Soares Santos;
- "Em Órbita", de Jorge Gil (textos do autor lidos por Paulo Rato);
- "Timbres", de Vanda de Sá;
- "A Palavra aos Músicos", de Jorge Rodrigues;
- "Tema e Variações", de Manuel Pedro Ferreira;
- "Flores de Música", de João Azevedo;
- "O Fascínio das Cordas Dedilhadas", de Manuel Morais;
- "A Nova Música Antiga", de Manuel Morais;
- "Terras e Tradições", de Jorge Castro Ribeiro;
- "Sons do Mundo", de Alexandra Almeida;
- "História da Música Portuguesa", de Bruno Caseirão;
- "O Meu Piano é Melhor Que o Teu", de Susana Santos e Isabel Novais;
- "Poética Musical", de Pedro Amaral;
- "Canções de Todos os Tempos", de Isabel Novais.