30 dezembro 2005

"Um Toque de Jazz": mais tempo de antena



O jazz por ser considerado um género elitista (ainda mais do que a música clássica) nem sempre tem merecido a devida atenção por parte de quem dirige a rádio em Portugal. Nas rádios de cobertura nacional só encontro três espaços temáticos de autor, todos na RDP: "Cinco Minutos de Jazz" (suponho que é actualmente o programa mais antigo da rádio em Portugal), "A Menina Dança?", de José Duarte e "Um Toque de Jazz", de Manuel Jorge Veloso (na foto). Soube através do blogue "Indústrias Culturais" que na grelha da Antena 2, que vai arrancar no dia 01 de Janeiro, este programa de referência da nossa rádio passará a ter duas horas por semana (ao fim-de-semana). Atendendo à penúria de jazz na rádio portuguesa, registo com regozijo o aumento do tempo de antena de jazz na rádio clássica. Afinal de contas, não será o jazz também música clássica (afro-americana)?
Em breve, direi de minha justiça sobre a nova grelha da Antena 2.

Sobre a Lei da Rádio

Um artigo de opinião dos deputados Agostinho Branquinho e Pedro Duarte, publicado no jornal "Público", no passado dia 26, voltou a trazer à liça a já recorrente questão rádio versus música portuguesa. Recomendo a leitura da reflexão que Rogério Santos fez sobre o assunto no blogue "Indústrias Culturais".

Sobre o Index (III)

Na sequência do post do Prof. Manuel Pinto, o jornalista João Paulo Meneses, no "Blogouve-se", achou por bem alinhavar algumas ideias sobre a situação da música portuguesa nos alinhamentos da Antena 1, num post intitulado "Ainda a play list da Antena 1". Um agradecimento muito especial ao JPM pela atenção que tem dado ao serviço público de rádio.

Sobre o Index (II)

Manuel Pinto, professor no Departamento de Ciências de Comunicação da Universidade do Minho, escreveu, no blogue "Jornalismo e Comunicação", um 'post' intitulado "Música portuguesa na rádio pública: há ou não há "Índex"?", cuja leitura se recomenda. Aproveito para exprimir publicamente os meus sinceros agradecimentos ao Prof. Manuel Pinto pela referência que fez a este blogue e, muito especialmente, pelas palavras amáveis que disse sobre a minha pessoa e sobre o meu modesto mas empenhado contributo em defesa do programa "Lugar ao Sul" e, mais genericamente, em prol de um verdadeiro serviço público de rádio.

22 dezembro 2005

Boas Festas

Não sei qual a visão que têm do Natal... mas desejo-vos, na mesma, um Bom Natal.

Não sei se para vocês o 25 de Dezembro é apenas uma data de calendário... mas desejo-vos, na mesma, que o passem bem.

Não sei se nesta altura celebram o Natal dos Cristãos ou se preferem os ritos ancestrais que celebravam a chegada do Inverno... mas desejo-vos, na mesma, umas Boas Festas.

Não se não celebram coisa nenhuma e até estão fartos deste Pai Natal branco e vermelho (que não tem qualquer peso de tradição, uso ou costume... e é apenas uma invenção de uma campanha de marketing da cocacola), mas desejo-vos, na mesma, que passem os feriados da forma mais agradável possível.

Como vos apetecer, como quiserem, com quem quiserem (e preferirem).

Bom natal, bom equinócio, bons feriados.

Com filhozes, azevias, aletria... Como vos apeteça (e possam!).

20 dezembro 2005

Sobre o Index

A propósito do extenso rol de nomes da música portuguesa banidos/excluídos dos alinhamentos de continuidade ('playlists') da Antena 1, o poeta Eduardo Pitta, no blogue "Da Literatura", escreveu um post sugestivamente intitulado "O INDEX".

Para quando programas da RDP em 'podcasts'?

Embora o âmbito preferencial deste blogue seja a rádio pública, seria injusto não referir programas das rádios privadas que se afigurem de relevante interesse público e, como tal, terem todo o cabimento na RDP. É o caso de "Rádio.com", apontamento da autoria de João Paulo Meneses ("Blogouve-se"), que vai para o ar todos os sábados, depois do noticiário das 13 horas, na frequência da TSF. Como o nome sugere, o objecto da rubrica é tratar de vários aspectos que envolvem a rádio na internet. Um dos pontos mais recorrentes tem sido os 'podcasts', anglicismo que designa os ficheiros de áudio, mormente de programas de rádio, que podem ser descarregados de determinados sites para depois serem ouvidos em leitores portáteis de áudio digital (iPods), e ou no computador, em auto-rádios com leitores de CD-R/RW compatíveis com MP3 e também nos aparelhos domésticos como os vulgares leitores de CD e DVD. Esta é uma modalidade de grande interesse para os radiófilos, uma vez que lhes dá a possibilidade de ouvirem os programas da sua preferência sem terem de ficar escravos dos horários de emissão dos mesmos. E além disso de toda a fiabilidade pois não está sujeita aos percalços que acontecem nas gravações de rádio online, tais como falhas na ligação à rede, alterações súbitas de horários, etc.. Esta nova forma de disponibilizar conteúdos áudio está a ter um grande incremento e sucesso em vários países mas, pelo que tenho ouvido, é ainda muito incipiente por cá. Em Portugal, o principal acervo de conteúdos de rádio é o arquivo da RDP que, além dos programas da própria estação, alberga o que se conseguiu salvar do arquivo do antigo RCP, da Rádio Comercial e de outras emissoras. Jorge Guimarães Silva, autor do blogue "A Rádio em Portugal", a propósito do exemplo da BBC, já chamou à atenção para a importância desses valiosos conteúdos e do interesse em serem disponibilizados ao público. Então de que é que a Rádio e Televisão de Portugal está à espera? Por que motivo não se põe o melhor desse inestimável património fonográfico à disposição dos ouvintes, quer sob a forma de edições discográficas quer nos emergentes 'podcasts'? Da programação actual há alguns excelentes exemplos de conteúdos para 'podcasts' como "Questões de Moral", de Joel Costa, "Os Sons Férteis", de Paulo Rato (Antena 2) e "Lugar ao "Sul", de Rafael Correia (Antena 1). A RDP, quando foi uma empresa autónoma, acompanhou a vanguarda europeia na emissão digital mas agora parece estar indiferente e apática perante um avanço tecnológico que pode voltar a aproximar a rádio do público. Será que agora, por estar acoplada à televisão, a rádio pública passou a ser o parente pobre da irmandade que se chama Rádio e Televisão de Portugal?

18 dezembro 2005

"Onde Custa mais ser Português"


O país, as suas realidades e/ou (ir)realidades políticas, a sua rádio e a sua televisão têm outras cores quando vistos com os olhos da distância.
As palavras que a seguir transcrevemos foram-nos enviadas por Fernando Cruz Gomes, português, jornalista, residindo e trabalhando em Toronto, no Canadá.
Aqui só vão pequenos excertos. O texto, na íntegra, está disponível em
Rádio Nossa, um Blogue associado a este e onde surgirão as colaborações de que, apesar de mais extensas, não vos queremos privar.


Cá longe... onde custa mais ser Português!
(...)
Caçadores de cabeças! Uma necessidade imperiosa para o nosso pobre país de origem, que continua, paulatinamente, a bancar de grande senhor, rico e poderoso.
(...)
Às primeiras palavras, o tal visitante abriu o livro. Queria sardinhas assadas. E como se vivia o “10 de Junho”, no Canadá, ele tinha a certeza que os Portugueses de lá... tinham as tais sardinhas assadas. Só depois é que, com um sotaque do centro de Portugal, nos atirou com a frase: “Homem, falamos em Português...”. Era, então, vice-presidente da toda poderosa CNN.
(...)
A conversa fez-se em Português - em perfeito Português, entenda-se - por que o economista “senior” em causa era Português.
(...)
Na RTPi, na RDPi, na Lusa, nos grandes órgãos de Comunicação Social... hão-de dizer-nos quantas “cabeças” têm a mínima noção do que representa a emigração. Hão-de-nos dizer se é possível, assim, fazer trabalho em prol dos portugueses residentes no estrangeiro.

(...)

Para ler na íntegra em Rádio Nossa.

15 dezembro 2005

Provedores para rádio e TV são escolhidos pela RTP

O título é do Diário de Notícias na sua edição de hoje:


Serviço Público
Provedores para rádio e TV são escolhidos pela RTP
s.C.S.

Os nomes dos provedores do telespectador e do ouvinte para a RTP e RDP, bem como as suas remunerações vão ser definidas pelo Conselho de Administração da Rádio e Televisão de Portugal, SGPS.

A decisão foi tomada ontem com a aprovação do texto final da proposta de lei que cria a figura dos provedores, na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias da Assembleia da República.

Esta foi uma questão que ao longo das várias discussões na especialidade da subcomissão para comunicação social suscitou dúvidas da oposição (BE e CDS-PP), que questionava se assim deveria acontecer, uma vez que se pretende uma maior independência entre os provedores e a instituição que vão representar.

Durante a discussão final, Pedro Mota Soares (CDS) insistiu nas questões da existência de um só provedor para os dois meios, nos impedimentos e incompatibilidades que deviam ficar instituídas na lei, tal como os critérios editoriais previstos para o programa semanal dos provedores. Já Fernando Rosas (BE) considerou que o tramite da remuneração devia sofrer ajustes.

De acordo com o documento ontem definido, os nomes escolhidos pela administração da RTP devem merecer um parecer do Conselho de Opinião da empresa.

O diploma é aprovado hoje no Parlamento e terá 15 dias para ser publicado em Diário da República.

Competências
Serviço de reclamações

O DN tentou ao longo do dia de ontem ouvir a administração da RTP sobre a escolha dos provedores, mas tal não foi possível até ao fecho da edição.

Os provedores devem receber e avaliar as queixas dos ouvintes e dos telespectadores.

As queixas e sugestões devem ser dirigidas à administração e aos responsáveis visados.

Devem questionar e formular conclusões sobre os critérios de programação adoptados.

Os seus pareceres sobre os conteúdos devem ser transmitidos aos utentes da RTP

Edição de um programa semanal sobre as matérias da sua competência, com duração mínima de 15 minutos.

Elaborar um relatório anual sobre a sua actividade.

Ouvir os directores de informação e programação sempre que as matérias o justifique.

13 dezembro 2005

As minhas escolhas

Da actual programação dos três canais nacionais da RDP, gostaria de destacar os seguintes programas e rubricas (por ordem cronológica, de segunda-feira a domingo):

Antena 1

Programas:
- Antena Aberta, de Eduarda Maio (segunda a sexta, 09:35-11h);
- Portugal em Directo (informação regional) (segunda a sexta, 13h);
- Memória de Um Lugar ao Sul, de Rafael Correia (segunda, 24h);
- Escrita em Dia, de Francisco José Viegas (quarta, 24h e sábado, 14h);
- Viva a Música, de Armando Carvalheda (quinta, 16h e sábado, 15h);
- Cinemax, de Tiago Alves e João Lopes (quinta, 24h e sábado, 18h);
- Lugar ao Sul, de Rafael Correia (sábado, 09h);
- Mil e Uma Escolhas, de Madalena Balça (sábado, 10h);
- Alma Nostra, de Carlos Amaral Dias e Carlos Magno (sábado, 11h);
- A Menina Dança?, de José Duarte (sábado, 24h);
- Vozes da Lusofonia, de Edgar Canelas (domingo, 09h e 24h);
- O Amor É, de Júlio Machado Vaz (domingo, 10h);
- O Amigo da Música, de José Nuno Martins (domingo, 11h e 23h);
- Entrevista, de Ana Sousa Dias (domingo, 12h);

Rubricas:
- Outras Histórias da Música (Pop/rock), de Luís Filipe Barros (segunda a sexta, 01:40, 06:40, 08:55);
- Cinco Minutos de Jazz, de José Duarte (segunda a sexta, 01:55, 18:55, 22:55);
- O Amor É, de Júlio Machado Vaz (segunda a sexta, 03:20, 09:20, 11:20, 22:20);
- Loja do Cidadão (segunda a sexta, 04:40, 14:20);
- Alma Lusa, de Edgar Canelas (segunda a sexta, 04:55, 06:55, 12:55, 15:55, 20:55);
- Grandes Músicas, de António Cartaxo (segunda a sexta, 05:55, 09:25, 19:55, 23:55);
- Os Reis da Rádio (segunda a sexta, 7:50, 23:20);
- Notícias da Palmilha Dentada (humor) (segunda a sexta, 7:55, 11:55).


Antena 2

Programas:
- Amanhecer, de João Almeida e Maria Augusta Gonçalves (segunda a sexta, 07:00-10:00);
- Questões de Moral, de Joel Costa (segunda, 10h ou 24h);
- Até Bach (música antiga e barroca) (segunda a sexta, 16:10-18h);
- Ritornello, de Jorge Rodrigues (segunda a sexta, 18:10-20h);
- Depois da Uma na Dois (Jazz) (diariamente, 01:00-02:00h);
- Operamania, de Jorge Rodrigues (terça, 10h ou 24h);
- Em Sintonia com António Cartaxo (terça, 22h e domingo, 11h);
- Raízes (músicas do mundo), de João Pedro (terça, 23h);
- A Propósito da Música, de Alexandre Delgado (quarta, 10h ou 24h);
- A Música e as Ideias, de José Atalaia e João Maria de Freitas Branco (quarta, 10h ou 24h);
- Páginas de Português, de João Alferes Gonçalves (quarta, 22h e domingo, 16h);
- Ressonâncias, de Rui Vieira Nery e Vanda de Sá (quarta, 22:30h e domingo, 16:30h);
- Ciber 2, de José Vítor Malheiros (quinta, 10h ou quinta, 24h);
- Marcas da História, de António Costa Pinto (quinta, 10:30h ou sexta, 00:30);
- Discos de Cabeceira, de José Pedro Borges (quinta, 10h ou 24h);
- Um Toque de Jazz, de Manuel Jorge Veloso (quinta, 22h e domingo 12h);
- Delta Blues, de André Pinto (quinta, 23h);
- Os Dias da Arte, de Ana Paula Ferreira (sábado, 11h);
- Escalas de Sábado, de Andrea Lupi (sábado, 12h);
- A Força das Coisas, de Luís Caetano (sábado, 16h);
- Musica Aeterna, de João Chambers (sábado, 23h).

Rubricas:
- Os Sons Férteis, de Paulo Rato (segunda a sexta, 11h);
- Última Edição, de Luís Caetano (segunda a sexta, 16h e 24h);
- Cinco Minutos de Jazz, de José Duarte (segunda a sexta, 20h).


Antena 3


Programas:
- Prova Oral, de Raquel Bulha e Fernando Alvim (segunda a sexta, 19h);
- Coiote, de Pedro Costa (segunda a sexta, 22h);
- Planeta 3, de Raquel Bulha (domingo, 22h).

Rubricas:
- Bolas com Creme (humor), de Bubu (segunda a sexta, 08:50 e 09:50).


Nota: Para obter mais informações queira clicar, conforme o caso, em
Antena 1, Antena 2 ou Antena 3.
Se desejar apresentar reparos, críticas e sugestões sobre um programa em particular ou sobre a programação em geral, clique em
Participe!

09 dezembro 2005

A intervenção crítica dos ouvintes da rádio pública

É de aplaudir algumas melhorias que Rui Pêgo introduziu na grelha da Antena 1, no passado mês de Novembro, mas continua a subsistir a questão da(s) 'playlist'(s) que é neste momento o ponto mais negativo da programação. Não está tanto em causa a 'playlist' em si mesma, enquanto ferramenta tecnológica, mas sim o formato que vem sendo implementado e que consiste em repetições exageradas, no afunilamento em apenas um género (a música pop) e, como consequência, a exclusão imperdoável de um extenso rol de músicos, cantores e grupos de reconhecida qualidade designadamente nas áreas da música de raiz ou inspiração tradicional e do fado. E isto acontece não só com os nomes já falecidos ou retirados mas também com os que estão no activo desde os consagrados aos mais novos e em início de carreira. Alguns (poucos) nomes da nova geração do fado ainda passam por altura dos respectivos lançamentos discográficos, mas já nem isso acontece com os agrupamentos emergentes da música folk e tradicional portuguesa. Porquê? Será aceitável que a rádio que todos financiamos continue a votar ao ostracismo grupos que têm obtido a aclamação da crítica e o aplauso do público como, por exemplo, Frei Fado d'El Rei, Realejo, Danças Ocultas, At-Tambur, Roldana Folk, Mandrágora, Mu, Dazkarieh, Chuchurumel e Galandum Galundaina?
A rádio estatal tem obrigações de serviço público de que não pode abdicar e uma delas é divulgar a música que melhor exprime a identidade portuguesa. Como a 'playlist' não faz jus a este princípio, cabe aos cidadãos e contribuintes exercerem o seu direito de intervenção cívica para exigir à direcção de programas a urgente correcção de situação tão anómala. O ministro Augusto Santos Silva, que tutela a comunicação social, tem declarado que defende a intervenção crítica dos cidadãos relativamente ao serviço público de rádio e de televisão e, como tal, cumpre à direcção da rádio pública ter em conta as opiniões expressas pelos destinatários do serviço porque, afinal de contas, servir os ouvintes é a razão que justifica a existência da rádio que eles pagam.
Os resultados das audiometrias além de pouco transparentes e distorcidos acabam por ser informações meramente quantitativas, pelo que a nossa opinião pode ser uma importante achega para a informação qualitativa de que os responsáveis da rádio pública precisam para a tomada de decisões acertadas.
Junto abaixo cópia de carta que enviei à direcção de programas da Antena 1 em que opinei sobre alguns pontos da programação actual.


Carta à direcção de programas da Antena 1:
<
rui.pego@rdp.pt, antena1.direccao@rdp.pt, antena1@rdp.pt>

Exmo. Senhor Rui Pêgo,

Assim como me sinto no dever cívico de intervir quando são tomadas decisões que considero erradas e desajustadas na programação da rádio pública, também sou o primeiro a aplaudir a direcção sempre que são concretizadas iniciativas que façam jus a um verdadeiro serviço público de rádio. É o caso de "Alma Lusa", rubrica através da qual Edgar Canelas nos guia numa viagem pela memória do fado. Aplaudo pois o Sr. Rui Pêgo por tão louvável iniciativa e dou também os parabéns ao realizador Edgar Canelas, um profissional que me habituei a estimar pelo amor e carinho que dedica à boa música portuguesa.
Congratulo-me também por alguns bons programas de autor terem passado a ser repetidos noutros horários. Destaco "Escrita em Dia" e "Viva a Música" nas tardes de sábado e "Vozes da Lusofonia" nas manhãs de domingo. É uma medida que considero muito acertada e pertinente porque os horários em que esses programas vão originalmente para o ar não são praticáveis por uma boa parte dos ouvintes em virtude da sua vida laboral, tendo assim a oportunidade de os ouvir ao fim-de-semana. Aliás, esta é uma questão que eu já havia apresentado em cartas que dirigi à direcção da Antena 1. Numa carta que em Setembro passado remeti ao Sr. Rui Pêgo apontei o exemplo do "Viva a Música", mas já havia referenciado outros programas (incluindo os atrás referidos) num e-mail que em Março passado enderecei ao seu antecessor, Tiago Alves. A propósito, não pude deixar de reparar no facto do programa "Memória de Um Lugar ao Sul" que vai para o ar a partir da meia-noite de segunda-feira não fazer parte do lote dos programas que agora começaram a ser repetidos. Peço ao Sr. Pêgo que se digne passá-lo também noutro quadrante horário por forma a que os ouvintes menos noctívagos tenham possibilidade de o ouvir. Os admiradores do trabalho de Rafael Correia ficariam gratíssimos à direcção da Antena 1 por esse gesto de boa vontade.
Voltando ao apontamento "Alma Lusa", aproveito o ensejo para lhe sugerir que essa rubrica (ou outra a criar) contemple também a música portuguesa de raiz tradicional que além dos nomes mais antigos poderá incluir os grupos emergentes que fazem furor nos festivais e encontros de música folk e tradicional, mas que continuam a ser marginalizados pela rádio. Armando Carvalheda tem a preocupação meritória de convidar alguns deles para os concertos do programa "Viva a Música", mas depois nunca mais se ouvem na 'playlist'. Volto a insistir na questão da 'playlist' porque é o ponto mais negativo na actual programação musical da Antena 1, opinião que não é só minha pois é partilhada por muita gente. Se o Sr. Rui Pêgo se quiser dar ao trabalho de fazer um inquérito aos ouvintes da Antena 1 sobre os artistas que desejariam ouvir, aposto que seriam referidos muitos dos que foram banidos da 'playlist' e até outros que nunca chegaram a entrar (vide anexo). A 'playlist' deve ser tão ecléctica quanto possível de modo a ser uma amostragem abrangente do que de melhor se produz em Portugal nas diversas áreas musicais e – não menos importante – para ir ao encontro dos diferentes gostos do auditório. Por isso, não se compreende que o fado e a música popular portuguesa tenham uma presença tão residual, ainda por cima sendo duas áreas de grande agrado e com muitos entusiastas. Fica-se com a ideia que a música portuguesa que não seja do género pop é propositadamente ostracizada por quem decide os conteúdos da 'playlist'. Em nome de quem e de quê? O que se tem vindo a passar é tanto mais absurdo porque são justamente as músicas que radicam no nossa herança cultural – fado e música de raiz tradicional – as que mais facilmente nos permitem vingar no mercado internacional. O cantor pop David Fonseca já reconheceu isto mesmo (no programa "Vozes da Lusofonia"), mas ainda subsiste em muita boa gente o equívoco de que fazer música pop, de preferência cantada em inglês, ajuda a abrir as portas no mercado global. A fulgurante carreira internacional de Amália, e depois dos Madredeus e de nomes do fado como Mísia e Mariza são as provas irrefutáveis de que não é com a música 'mainstream' que os portugueses se conseguem afirmar no mundo.
Além do afunilamento na pop, a 'playlist' da Antena 1 peca pela repetição desmesurada dos mesmos temas, o que acaba por ser cansativo para o ouvinte provocando inclusive reacções de rejeição. Uma determinada música até pode ter qualidade e dar prazer ouvir, mas se a frequência com que ela passa ultrapassar um certo limite é natural que o ouvinte se sinta saturado e já não a suporte. O que é bom se for de mais também farta. Não seria mais razoável que as músicas mais repetidas passassem menos vezes, de modo a dar lugar a outras músicas que raramente se ouvem ou que nunca passam? Na música como na alimentação, a variedade e a moderação são duas regras que só fazem bem a quem as cumpre. Assim sendo, apelo ao Sr. Rui Pêgo para que tenha o bom senso de prestar atenção a esta problemática. A bem do serviço público de rádio!
Com os melhores cumprimentos,

Álvaro José Ferreira


Index da Música Portuguesa
(RDP-Antena 1)


A lista que se segue, embora não sendo exaustiva, serve para exemplificar a situação da música portuguesa nos alinhamentos de continuidade ('playlist') da rádio pública, a estação que os cidadãos e empresas de Portugal financiam com a contribuição audiovisual (antiga taxa de radiodifusão) cobrada na factura mensal de electricidade (Lei n.º 30/2003).


Banidos/excluídos da 'playlist' da Antena 1
Adriano Correia de Oliveira
José Mário Branco
Afonso Dias
José Medeiros
Aldina Duarte
José Peixoto
Alfredo Marceneiro
Júlio Pereira
Almanaque
Laurent Filipe
Amália Rodrigues
Lua Extravagante
Amélia Muge
Lucília do Carmo
Anabela
Luís Cília
Anamar
Luiz Goes
Ana Moura
Lula Pena
Ana Sofia Varela
Maio Moço
António Chainho
Mandrágora
António Emiliano
Manuel Freire
António Pinho Vargas
Marenostrum
António Pinto Basto
Margarida Bessa
António Zambujo
Maria Ana Bobone
Argentina Santos
Maria Viana
At-Tambur
Mariza
Banda do Casaco
Melodias do Vento
Bela Aurora
Mendes Harmónica Trio
Bernardo Sassetti
Mísia
Brigada Victor Jara
Moçoilas
Canto da Terra
Mu
Canto Nono
Naná Sousa Dias
Carla Pires
Navegante
Carlos Alberto Moniz
Negros de Luz
Carlos Barretto
Nem Truz Nem Muz
Carlos do Carmo
Nuno da Câmara Pereira
Carlos Martins
Nuno Guerreiro
Carlos Mendes
Ódagaita
Carlos Paredes
Orchestra Nova Harmonia
Carlos Zíngaro
Paco Bandeira
Célia Barroca
Paula Oliveira e Bernardo Moreira
Chuchurumel
Paulo Bragança
Ciganos D'Ouro
Paulo de Carvalho
Corvos
Pedra d'Hera
Danças Ocultas
Pedro Barroso
Dar de Vaia
Pedro Caldeira Cabral
Dazkarieh
Pedro Jóia
D'Corda
Pedro Moutinho
Duo Ouro Negro
Pilar Homem de Mello
Eduardo Ramos
Quadrilha
Fernando Farinha
Quarteto 1111
Fernando Girão
Quinteto Amália
Fernando Machado Soares
Quinteto Jazz de Lisboa
Fernando Maurício
Quinteto Lusitânia
Fernando Tordo
Raízes
Filarmónica Fraude
Rão Kyao
Frei Fado d'El Rei
Real Companhia
Francisco Naia
Realejo
Gaiteiros de Lisboa
Rodrigo
Galandum Galundaina
Roldana Folk
Isabel Silvestre
Ronda dos Quatro Caminhos
Janita Salomé
Rosa dos Ventos
Joana Amendoeira
Samuel
João Braga
Segue-me à Capela
João Chora
Teresa Silva Carvalho
João Lóio
Terrakota
Joel Xavier
Tetvocal
Jorge Rivotti
Vai de Roda
José Afonso
Vá-de-Viró
José Carvalho
Vicente da Câmara
TODA A MÚSICA DE COIMBRA


Passagens esporádicas e quase sempre o mesmo tema
Ala dos Namorados
Maria João e Mário Laginha
António Variações
Marta Dias
Belle Chase Hotel
Marta Plantier
Camaleão Azul
Naifa, A
Camané
Né Ladeiras
Cristina Branco
Quinta do Bill
Eugénia Melo e Castro
Rio Grande
Fausto Bordalo Dias
Rodrigo Leão
Filipa Pais
Sara Tavares
Jáfumega
Sérgio Godinho
João Afonso
Sétima Legião
Katia Guerreiro
Sheiks
Luís Portugal
Trovante
Madredeus
UHF
Mafalda Arnauth
Vitorino
Mafalda Veiga
Vozes da Rádio

Última actualização: 09-12-2005

05 dezembro 2005

Sejam todos bem-vindos!

E foi assim...

Nasceu um Blog apostado em provocar a discussão (das formas mais vastas e abrangentes) em torno do produto comunicacional que é distribuído pela Radiodifusão Portuguesa através dos seus diversos canais, para escalões etários diferenciados, tanto dentro das fronteiras de Portugal como para os cidadãos que a Diáspora espalhou pelo mundo.

Sem laivos xenófobos ou de nacionalismo ultramontano - até porque acreditamos que a amizade entre os povos só se pode basear no respeito pela diversidade cultural - assumimos a defesa da língua, e da cultura portuguesa como motivação essencial deste novo Blog que, deliberadamente, escolhe como designação:

A NOSSA RÁDIO... ouvintes da RÁDIO PÚBLICA com opinião!

E lançamos desde já alguma deixas para estes nossos diálogos.

  • Para que serve a Radiodifusão Portuguesa? Terá alguma lógica a sua existência e o seu funcionamento financiado pelos nossos impostos.?

  • Que faz ela... que as rádios "privadas" não possam fazer? Como se distingue delas no dia a dia das suas emissões?

  • Que papel devia desempenhar na defesa da cultura e identidade nacionais e na afirmação dos nossos direitos e deveres de cidadania?

  • Qual poderia ser a sua actuação em defesa da música e dos artistas de Portugal?

  • De que forma deveria corresponder aos interesses e solicitações dos seus públicos consumidores/pagadores?

  • Que intervenção teria de assumir na construção/consolidação/afirmação de um cada vez mais forte espaço lusófono?

  • Que acção poderá desenvolver na Diáspora Luso, propiciando a afirmação das Comunidades Portuguesas nos países de acolhimento e o seu conhecimento mútuo, mas também, intervindo no reforços dos laços que nos unem (ou deviam unir)?

(se é importante que aos cidadão da Diáspora seja facultada informação independente e actualizada sobre o que em Portugal acontece, é imprescindível que em Portugal se conheçam os aspectos relevante da vida e da intervenção das nossas comunidades nos países para onde rumaram à procura de um melhor futuro.)

Estas são apenas algumas ideias porque, na realidade, o que todos queremos saber é aquilo que outros pensam e acreditam. Por isso, este Blog surge associado ao Grupo com o mesmo nome sediado em http://www.grupos.com.br/group/nossaradio/.

Todos os contributos são bem vindos. O Grupo de redacção do Blog está em constante alargamento e aberto a todas as formas de adesão e de intervenção.

Chegámos… mas não fomos os primeiros…

Assim não dá!
Ainda nós estudávamos um aspecto gráfico para este Blog e apenas tínhamos posto um post de experiência... e já lá estava o 1º comentário, assinado pelo josé da Grande Loja do Queijo Limiano
Agradecemos e decidimos que a inauguração do Blog fica feita com aquele poema do Eugenio Finardi. Não é preciso mais nada.
Mas, depois disso... o josé voltou a atacar. Nós agradecemos. Passem por lá.

28 novembro 2005

Experiência